sábado, 12 de dezembro de 2015

Minhas impressões - O rouxinol – Kristin Hannah

***Livro enviado pela Editora Arqueiro, parceira do blog***

Arquivo particular

A história começa no Oregon, Estados Unidos, em 1995, narrada em primeira pessoa por uma mulher (sua identidade só é revelada no final do livro), arrumando suas coisas para deixar sua casa e ir para um lar de aposentados. Ela pede que seu filho Julien leve um baú que contém suas recordações, e ele a questiona sobre a necessidade de leva-lo. Ele acaba vendo no baú algo que ela havia escondido por muitos anos, uma carteira de identidade da época da guerra, com o nome de Juliette Gervaise, e a questiona sobre essa pessoa. Ela pensa que já escondeu por tempo demais o seu passado, e começa a recorda-lo. 
A partir daí a narrativa se intercala entre esse período e o período em que a França foi ocupada pelos nazistas, que é contado em terceira pessoa, hora acompanhando Vianne Mauriac e hora acompanhando Isabelle Rossignol, sua irmã. Vianne e Isabelle perderam a mãe ainda crianças, com 14 e 4 anos, respectivamente. O pai delas, Julien, havia lutado na guerra, e quando a esposa faleceu, ficou muito abalado e não conseguiu ficar com as filhas, levando-as para morar em Le Jardin, no vilarejo de Carriveau com uma governanta. Vianne casou-se muito cedo com Antoine, e Isabelle logo foi estudar em um internato, e posteriormente em mais alguns, pois era considerada rebelde demais e acabava expulsa. Em 1939, Antoine é recrutado para a guerra, e deixa Vianne e a filha deles de 8 anos, Sophie, sozinhas em Carriveau. Vianne se recorda de o pai retornar muito diferente da guerra, e fica com receio que o mesmo aconteça com Antoine. Nessa mesma época, Isabelle, com 19 anos, é expulsa de mais um internato, e vai para a casa do pai delas em Paris. Quando Paris é invadida pelos alemães, Julien manda Isabelle para a casa de Vianne, para fazer companhia a ela e Sophie. Isabelle segue para Carriveau, e no caminho tortuoso e sofrido que percorre junto a outros franceses que estão fugindo de Paris, conhece Gaëton, um ex-presidiário, que divide um coelho assado com ela e a convida para ir à guerra com ele. Eles seguem até a casa de Vianne, onde Gaëton deixa Isabelle e parte 
sozinho sem maiores explicações.
Vianne é muito discreta e faz de tudo para proteger Sophie da melhor maneira possível. Isabelle é mais revoltada, e não suporta a situação que a França vive. Quando o capitão alemão Wolfgang Beck vai morar em Le Jardin com elas (a outra opção que elas tinham era deixar a casa para ele e ir embora), Isabelle percebe que pode colocar a vida da irmã e da sobrinha em risco por não tolerar a presença do alemão, e já estando envolvida com outros franceses que estavam agindo às escondidas contra os alemães, parte de Carriveau de volta à Paris. A ocupação dos alemães dura cerca de cinco anos, e durante todo esse tempo, Vianne procura viver o mais corretamente possível, enfrentando a estadia do capitão Beck em sua casa e posteriormente uma situação bem pior com outro morador alemão, Von Richter. Vianne percebe-se em situações muito complicadas, onde precisa decidir rapidamente o que fazer e como fazer para proteger as pessoas que ama, mesmo que isso represente um perigo imediato à sua segurança. Isabelle segue ajudando como pode a combater clandestinamente os alemães, entregando bilhetes e enfrentando situações muito perigosas de forma corajosa e destemida. Ela volta a encontrar Gaëton algumas vezes, mas como já está acostumada a tantos encontros e desencontros em sua vida, procura não se apegar a ninguém para não sofrer mais tarde.
É uma história muito bonita, muito sofrida, muito real. Não duvido que tudo o que foi relatado tenha sido vivido de fato pelas pessoas na época, mulheres, crianças e judeus, entre outros. É difícil escolher alguém por quem torcer durante a leitura, pois cada um ao seu modo tentou sobreviver e proteger, alguns mais passivamente, como a Vianne do início da narrativa, que preferia aceitar calada algumas coisas para proteger a filha, alguns mais ativamente, enfrentando riscos por todo o país, como Isabelle, que do começo ao fim foi firme em seu propósito. Eu me vejo mais como a Vianne do começo da história, mas admiro demais a ousadia de Isabelle, e também admiro os rompantes ousados que Vianne teve posteriormente. Esse é o segundo livro que leio da Kristin Hannah, o primeiro foi Jardim de Inverno, que li junto com a Deise do blog Delírios da Deise. Nós planejamos fazer juntas a resenha em vídeo desse livro, mas por diversos motivos ainda não foi possível. Ambos tem a temática semelhante, e recomendo os dois: são bonitos, são fortes, e acima de tudo, são verdadeiros relatos de uma época que não deveria ser esquecida. Eu tinha uma vaga noção do que foi o nazismo, mas depois de ler livros como esses da Kristin, além de "A chave de Sarah", da Tatiana de Rosnay (aqui), "O menino do pijama listrado", de John Boyne e "A menina que roubava livros", de Markus Zusak (esses últimos foram lidos bem antes de eu sonhar em ter o blog), deu para perceber que foi muito pior do que eu pensava. É o tipo de livro que você termina de ler, e a história fica martelando na memória por muito tempo.


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Nome: O rouxinol
Autora: Kristin Hannah
Editora: Arqueiro
Sinopse:
França, 1939: No pequeno vilarejo de Carriveau, Vianne Mauriac se despede do marido, que ruma para o fronte. Ela não acredita que os nazistas invadirão o país, mas logo chegam hordas de soldados em marcha, caravanas de caminhões e tanques, aviões que escurecem os céus e despejam bombas sobre inocentes.
Quando o país é tomado, um oficial das tropas de Hitler requisita a casa de Vianne, e ela e a filha são forçadas a conviver com o inimigo ou perder tudo. De repente, todos os seus movimentos passam a ser vigiados e Vianne é obrigada a fazer escolhas impossíveis, uma após a outra, e colaborar com os invasores para manter sua família viva.
Isabelle, irmã de Vianne, é uma garota contestadora que leva a vida com o furor e a paixão típicos da juventude. Enquanto milhares de parisienses fogem dos terrores da guerra, ela se apaixona por um guerrilheiro e decide se juntar à Resistência, arriscando a vida para salvar os outros e libertar seu país.
Seguindo a trajetória dessas duas grandes mulheres e revelando um lado esquecido da História, O Rouxinol é uma narrativa sensível que celebra o espírito humano e a força das mulheres que travaram batalhas diárias longe do fronte.
Separadas pelas circunstâncias, divergentes em seus ideais e distanciadas por suas experiências, as duas irmãs têm um tortuoso destino em comum: proteger aqueles que amam em meio à devastação da guerra – e talvez pagar um preço inimaginável por seus atos de heroísmo.
http://www.editoraarqueiro.com.br/livros/rouxinol-o/

Um comentário:

  1. Menina, mais um livro de guerra? Meu coração não vai aguentar! Ao mesmo tempo em que não quero ler, eu preciso! Kristin já me marcou a ferro e fogo, já derramei muitas lágrimas por causa dela! já queria ler, agora com a sua resenha sei que não terei como escapar.

    Beijos

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