terça-feira, 3 de março de 2015

Minhas impressões – Objetos cortantes – Gillian Flynn

A história é contada pelos olhos de Camille, uma jovem jornalista com tendências a marcar à corte em seu próprio corpo, palavras que em momentos de sua vida tiveram significado para ela. Em várias partes da narrativa ela cita essas palavras e a parte do corpo em que estão escritas, conforme vão fazendo parte de seus momentos e sentimentos novamente. No início da história, não faz muito tempo que ela saiu de um tratamento para parar com essa prática auto-mutilante. Ela mora em Chicago, mas nasceu e cresceu em uma cidade chamada Wind Gap, onde ainda moram sua mãe Adora, seu padrasto Alan e a meia-irmã adolescente, Amma, que ela só viu quando esta era pequena, já que há mais de oito anos não visita a família, uma das mais tradicionais e ricas da cidade.
Nessa pacata cidade, onde todos se conhecem, há menos de um ano aconteceu o assassinato de uma menina, Ann, cujo corpo foi encontrado em um rio, aparentemente enforcada, e sem nenhum dos dentes. Atualmente, outra garota, Natalie, está desaparecida, e teme-se que tenha o mesmo fim que a primeira, o que de fato se confirma no dia seguinte, quando seu corpo é encontrado no centro da cidade, também com marcas de enforcamento e com a boca totalmente sem dentes. O chefe de Camille, Curry, sabendo que ela é dessa cidade, resolve mandá-la para cobrir o assunto, numa tentativa de reaproximá-la da família e ajudar em seu pós tratamento.
Ela tem lá suas reservas quanto ao seu passado, pois perdeu uma meia-irmã, Marian, com idade próxima a das meninas. Marian simplesmente foi definhando de alguma doença não bem esclarecida na época. Após a morte dela, a mãe delas passou muito tempo depressiva em seu quarto, não dando muita atenção à Camille, na época ainda uma criança, que já se sentia rejeitada antes por toda a atenção dispensada à irmã doente, e muito mais agora. Esse foi o pontapé inicial para as tendências dela à automutilação. Após algum tempo nasce Amma, e Adora transfere toda a sua atenção e carinho a ela, e mesmo ela hoje sendo uma adolescente, com atitudes cruéis e maldosas fora de casa, perto da mãe ela age como uma criança pequena, para satisfazer os caprichos de Adora.
Quando Camille chega à cidade, o delegado Vickery não fica muito contente com a matéria que ela pretende escrever, e não dá detalhes sobre as investigações. Há um detetive, Willlis, que veio de outra cidade próxima para desvendar os crimes, e que também não dá muitas pistas a Camille. Eles se encontram diversas vezes ao longo da história, e rola até um breve romance, apesar de toda a reserva dela de se manter totalmente vestida para não mostrar suas cicatrizes.
Enfim, Camille vai conhecendo mais de Amma, seus rompantes juvenis, suas atitudes infantis, e vai relembrando sua infância e adolescência. Reencontra algumas de suas amigas do passado, e algumas das amigas de sua mãe. Descobre algumas coisas, deduz outras. No final, quando consegue desvendar o que de fato aconteceu, em sua família no passado e agora com as meninas, chega a um desfecho surpreendente.

É tudo um tanto quanto deprimente nessa história, fiquei bem mal com algumas coisas, como nas partes em que a Camille diz que as palavras gravadas em seu corpo pulsavam, ardiam, brilhavam, como um lembrete de cada uma, de que estavam ali e não iriam a parte alguma. Fora que ela fica a toda hora escrevendo em si mesma com caneta, como um vício um pouco mais atenuado. Mas da mesma forma que a história me deprimia, me prendia, e eu queria saber quem cometeu os crimes, e que segredos havia na família pouco convencional da Camille.

http://www.saraiva.com.br/objetos-cortantes-8599602.html?PAC_ID=125162&

Nome: Objetos cortantes
Autora: Gillian Flynn
Editora: Intrínseca

Sinopse
Uma narrativa tensa e cheia de reviravoltas. Um livro viciante, assombroso e inesquecível. Recém-saída de um hospital psiquiátrico, onde foi internada para tratar a tendência à automutilação que deixou seu corpo todo marcado, a repórter de um jornal sem prestígio em Chicago, Camille Preaker, tem um novo desafio pela frente. Frank Curry, o editor-chefe da publicação, pede que ela retorne à cidade onde nasceu para cobrir o caso de uma menina assassinada e outra misteriosamente desaparecida. Desde que deixou a pequena Wind Gap, no Missouri, oito anos antes, Camille quase não falou com a mãe neurótica, o padrasto e a meia-irmã, praticamente uma desconhecida. Mas, sem recursos para se hospedar na cidade, é obrigada a ficar na casa da família e lidar com todas as reminiscências de seu passado. Entrevistando velhos conhecidos e recém-chegados a fim de aprofundar as investigações e elaborar sua matéria, a jornalista relembra a infância e a adolescência conturbadas e aos poucos desvenda os segredos de sua família, quase tão macabros quanto as cicatrizes sob suas roupas.
http://www.saraiva.com.br/objetos-cortantes-8599602.html?PAC_ID=125162&

2 comentários:

  1. É complicado ler esses livros que mexem assim, deixando um peso no coração. Só leio livro assim quando tô bem, pq quando a gente tá mal, algo desse gênero só faz as coisas piorarem.

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